O Núcleo de Estudo e Pesquisa do Evangelho (NEPE) surgiu em 2013 a partir de uma iniciativa da Federação Espírita Brasileira (FEB). Fundamentalmente, a proposta do NEPE é realizar um estudo minucioso do Evangelho à luz do Espiritismo, congregando esforços de pesquisadores sérios e o inestimável auxílio das revelações espirituais obtidas através de médiuns reconhecidamente sintonizados com a Espiritualidade Superior, como Chico Xavier. Para a aferição do conteúdo das revelações mediúnicas, seguimos as orientações que Allan Kardec deixou em O Evangelho Segundo o Espiritismo, no item “Controle Universal do Ensino dos Espíritos”.

A justificativa para a criação do NEPE encontra-se na pergunta 625 de O Livro dos Espíritos. Nessa questão, Allan Kardec indaga o seguinte: “Qual o tipo mais perfeito que Deus tem oferecido ao homem, para lhe servir de guia e modelo?”. E a resposta obtida foi esta: “vede Jesus”. Considerando-se, então, a grande necessidade de conhecimento dos ensinos de Jesus, dentro do contexto e das peculiaridades de sua época, o NEPE surge como uma proposta para atender ao anseio de espíritas, bem como de estudiosos do Evangelho como um todo, na busca de melhor entender as lições imortais do Mestre Jesus a fim de transformar os corações e viver plenamente a lei de Amor.

Seguindo o ensino dado pelo Espírito Israelita no capítulo I de O Evangelho Segundo o Espiritismo é necessário compreender os costumes e acontecimentos que marcaram a vivência do povo hebreu, berço da primeira e segunda revelação: “o povo hebreu foi o instrumento de que se serviu Deus para se revelar por Moisés e pelos profetas, e as vicissitudes por que passou esse povo destinavam-se a chamar a atenção geral e a fazer cair o véu que ocultava aos homens a divindade”.

E como Agenda, o NEPE estrutura-se em um lema (“pequenos atos promovem grandes revoluções”) e nos seguintes termos:

Confiança, diálogo, diversidade, transparência, encontro, auto-organização, exemplo, consistência, descontração, entusiasmo, doação, simplicidade, objetividade e comprometimento.

Tudo isso tendo como foco principal as pessoas.

Portanto, o NEPE é também mais uma oportunidade de vivência dos valores humanos e do exercício da fraternidade por meio da convivência em torno do maior código moral legado à humanidade: o Evangelho do Cristo.

Sobre o NEPE Brasil

O movimento "NEPE Brasil" constitui uma rede de NEPEs espalhados por todo o território brasileiro e que visa unir esforços para a melhor compreensão dos ensinos do Cristo à luz do Espiritismo, conforme a máxima do benfeitor espiritual Emmanuel: “Jesus, a porta. Kardec, a chave”.

SETE PRINCÍPIOS
FUNDAMENTAIS DO NEPE

1. O estudo é à luz do Espiritismo

Somos um grupo de estudo Espírita e apesar de respeitarmos todas as religiões, a nossa referência final deverá ter por base a Codificação Espírita, pautada no bom senso e lógica ensinada por Allan Kardec.

"O Evangelho é o sol da imortalidade que o Espiritismo reflete para a atualidade do mundo". (Emmanuel/Chico Xavier, Vinha de Luz)

"Muitos pontos dos Evangelhos, da Bíblia e dos autores sacros em geral por si sós são ininteligíveis, parecendo alguns até irracionais, por falta da chave que faculte se lhes apreenda o verdadeiro sentido. Essa chave está completa no Espiritismo...". (Allan Kardec, O Evangelho Segundo o Espiritismo)

2. Diálogo Inter-religioso

Temos um grande respeito por todas as tradições religiosas e acreditamos que cada uma delas pode contribuir na busca da essência do ensinamento do Cristo. Promovemos o diálogo inter-religioso, enxergando as religiões como complementares, e não como divergentes. Logo, as nossas pesquisas não se resumem apenas à bibliografia espírita, mas também às obras de diversas tradições religiosas, incluindo dicionários, comentários bíblicos, etc.

"Uma das consequências do progresso moral será certamente um dia a unificação das crenças; ela ocorrerá quando os diferentes cultos reconhecerem que há um só Deus para todos os homens, e que é absurdo e indigno d’Ele lançar-se anátemas por não se O adorar da mesma maneira". (Allan Kardec, Revista Espírita de Ago/1867)

"Não se deve esquecer que o Espiritismo tem em vista a aproximação das diversas comunhões, já não é raro ver nessas reuniões confraternizarem representantes de diferentes cultos, razão por que nenhum deve arrogar-se a supremacia". (Allan Kardec, Revista Espírita de Jan/1866)

"Se o Espiritismo é uma verdade, se deve regenerar o mundo, é porque tem por base a caridade. Ele não vem derrubar os cultos nem estabelecer um novo, proclama e prova verdades comuns a todas, base de todas as religiões, sem se preocupar com detalhes". (AIIan Kardec, Viagem Espírita de 1862)

"...a utilização de obras espíritas e outras respeitáveis, passaram a ser os elementos adotados, com êxito, na atividade de análise interpretativa da Boa Nova, não faltando como recursos de inestimável valor, vasto número de obras auxiliares, chave bíblica e dicionários". (Honório Abreu, Luz Imperecível)

3. Humildade frente às Escrituras e a interpretação como um processo

Sabemos que os textos das Escrituras possuem significações que ainda não podemos abarcar e que a interpretação é caracterizada por um processo contínuo, logo não ficamos "reféns" de uma única ideia. Estamos em constante procura de novas perspectivas, desde que baseadas no bom senso e na fundamentação lógica. Os sábios judeus afirmam que: “As Escrituras possuem 70 faces”, portanto a nossa busca é identificar as diversas faces possíveis de cada texto estudado.

"O compositor faz uma canção, e a obra está terminada. O escultor cinzela o seu mármore, e um dia a estátua está acabada. Mas a tarefa do exegeta nunca tem fim. Ele pode somente parar para registrar, um tanto temerosamente, as suas descobertas, em certo ponto cronológico, com a oração para que elas possam ter alguma utilidade para outras pessoas, e para que ele tenha sido fiel ao que até então lhe fora dado". (Kenneth Bailey, Parábolas de Lucas)

4. O Antigo Testamento e a tradição judaica como repositórios de ensinamentos fundamentais para o entendimento da mensagem de Jesus

Sabemos que Jesus foi um judeu, e viveu como um judeu, por isso os relatos do Evangelho devem ser analisados dentro de um contexto cultural da época. Além disso, o A.T. é um património cultural do povo hebreu, que deve ser encarado como uma importante chave para o entendimento da mensagem de Jesus.

“...Muitas vezes a palavra de Jesus era alegórica e em forma de parábolas, porque ele falava de acordo com a época e lugares”. (Allan Kardec, O Livro dos Espíritos, Q627)

“Para bem se compreenderem algumas passagens dos Evangelhos, necessário se faz conhecer o valor de muitas palavras nelas frequentemente empregadas e que caracterizam o estado dos costumes e da sociedade judia naquela época”. (Allan Kardec, O Evangelho Segundo o Espiritismo)

"Jesus compunha suas peças pedagógicas com elementos extraídos do cotidiano daquele tempo, não do nosso. A referência cultural não é aquela fornecida pela sociedade ocidental contemporânea. É preciso viajar no tempo. Há dois mil anos". (Haroldo Dutra, Parábolas de Jesus - Texto e Contexto)

5. O nosso esforço é de "ir até o texto"

Durante os encontros, toda atenção é voltada para o texto em questão. Evitamos desviar o foco para outros temas paralelos. Nosso esforço primordial é de "ir até o texto" para, posteriormente, "trazer o texto” à nossa realidade.

"Com ampla troca de ideias, argumentos, cotejo de referências bíblicas, comparações, pesquisas em livros ou peças avulsas que tratam do assunto, toda a atenção é direcionada para o versículo evangélico escolhido". (Honório Abreu, Luz Imperecível)

"Muitos estudiosos presumem haver alcançado o termo da lição do Mestre, com uma simples leitura vagamente raciocinada. Isso, contudo, é erro grave" (Alcíone, Renúncia - Chico Xavier/Emmanuel)

6. Usamos o método mas não somos “reféns” do método

Seguimos uma metodologia que nos ajuda a extrair a essência espiritual de cada passagem, entretanto, não ficamos "presos" a ela. Para cada "problema" a ser resolvido na interpretação, necessário se faz a aplicação de ferramenta adequada. Às vezes a chave para a interpretação está na estrutura do texto, às vezes contida no conhecimento sobre o Antigo Testamento, às vezes na correta tradução de uma determinada palavra, às vezes no contexto histórico/cultural, etc. Utilizamos a ferramenta de acordo com a dificuldade apresentada pelo texto.

"Nosso esforço não se resume a um compêndio de técnicas... A tarefa escolhe o instrumento, assim como a dificuldade molda a solução. Ao leitor compete tudo fazer para compreender, selecionando o instrumental adequado ao género de problema textual encontrado, sem perder o foco... O fascínio pelas ferramentas pode paralisar o interprete das letras sagradas". (Haroldo Dutra, Parábolas de Jesus - Texto e Contexto)

7. Não finalizamos um encontro do NEPE sem extrair a consequência moral atrelada ao estudo do dia

O objetivo de nossos encontros não é apenas conhecer e estudar a passagem, fixando a lição num determinado tempo/lugar do passado. Em nossos estudos, damos um passo à frente, identificando como aquela lição pode ser aplicada em nosso cotidiano. Logo, o passo final do estudo é "fazer o texto falar" para a nossa vida, hoje.

"...incorporando-nos às figuras do próprio texto, habilitamo-nos a detectar em nós próprios, padrões ou atitudes, de ordem positiva ou negativa que lhes eram peculiares, a nos sugerirem implementação de recursos ou mudanças de base, nas profundezas da alma. A partir daí, o texto vivifica". (Honório Abreu, Luz Imperecível)

"...no imenso conjunto de ensinamento da Boa Nova, cada conceito do Cristo de seus colaboradores diretos adapta-se a determinada situação do Espírito, nas estradas da vida". (Emmanuel/Chico Xavier, Caminho, Verdade e Vida)

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